17 | 2 | 2009
Valor Econômico - Investidores de ações crescem mais fora do eixo Rio-SP
Alessandra Bellotto - Valor Econômico
17/02/2009
O mapa do investimento em bolsa no país começa a apontar para um movimento de desconcentração regional. No último ano, a maior expansão da base de investidores individuais de ações foi registrado em estados fora do eixo Rio-São Paulo. A Bahia liderou o ranking, com 36,4% de aumento no número de investidores pessoa física cadastrados na BM&FBovespa, de 8.876 em 2007 para 12.110 no fim do ano passado. Em seguida, Goiás registrou crescimento de 26,7% na base, para 5.824 investidores; Espírito Santo teve aumento de 26,3%, para 12.111; e Minas Gerais, alta de 25%, para 40.231.
É verdade que a base de investidores dessas regiões ainda é pequena, se comparada com a de São Paulo e Rio de Janeiro. Esses dois estados, juntos, reuniam 70% do número de investidores pessoa física cadastrados na bolsa no fim de 2008, que totalizava 536.483. Só São Paulo concentrava 44,5% de toda a base. Até por isso o crescimento do número de investidores em São Paulo e Rio é mais limitado - em 2008, foi de 11,78% e 15,69%, respectivamente. No total, a despeito da crise financeira, os investidores individuais cadastrados na bolsa cresceram 17,36% no ano passado.
O número de investidores de cada estado está muito ligado à economia da região e sua participação no PIB (Produto Interno Bruto), afirma Raymundo Magliano Neto, diretor comercial da Expo Money, feira de educação financeira e investimentos voltada para a pessoa física. Levantamento da Expo Money mostra que São Paulo e Rio de Janeiro concentram cerca de 70% da base de investidores, como reflexo dos 45% que representam do PIB nacional. Minas Gerais, com uma participação de 9% do PIB, segundo Magliano, reúne a terceira maior base de investidores (7,5% do total). O Rio Grande do Sul representa 6,7% da economia nacional e 7,2% dos investidores individuais do país.
Já a Bahia, que tem um peso de 4,2% no PIB nacional, reúne apenas 2,25% do total de investidores, aponta levantamento da Expo Money. A diferença, segundo Magliano, mostra que há um potencial grande de crescimento dos investidores no Estado. "Dá para dobrar esse número."
A fim de aproveitar essa oportunidade, Salvador receberá pela primeira vez neste ano, em 6 e 7 de maio, a Expo Money. No ano passado, os soteropolitanos puderam ter um gostinho do que é o evento com o INI Day, uma espécie de piloto da Expo Money, com duração de um dia.
No circuito deste ano, além de Salvador, estão programadas outras nove edições em capitais diferentes. A expectativa, segundo Magliano, é atrair 60 mil pessoas ao longo do ano para os eventos. Em 2008, foram 11 edições e mais de 55 mil visitantes, com destaque para Florianópolis, Recife e Vitória, que receberam pela primeira vez a feira.
"O objetivo da Expo Money ao buscar novas regiões é mostrar para corretoras e companhias abertas que há mercado para fomentar fora do eixo Rio-São Paulo", afirma o diretor da feira. A primeira edição da feira foi realizada em São Paulo, em 2003, e recebeu 9.182 visitantes. Dois anos depois, a Expo Money começou seu processo de expansão.
"O grande sucesso da feira deve-se, entre outros fatores, à possibilidade de os investidores trocarem informações, conversarem", diz. Magliano afirma ainda que o resultado tem sido bastante favorável. Além do aumento da base de investidores Brasil afora, muitas corretoras ou abriram filiais ou colocaram representantes para atuar fora do eixo Rio-São Paulo.