23 | 11 | 2009
Jornal de Brasília- Economia
BOLSA ATRAI PEQUENOS
O avanço dos investidores individuais começa a mudar o mercado de capitais brasileiro. Esse movimento foi iniciado em 2007 e ganhou novo fôlego com a queda de juros no País. A participação dos pequenos investidores na Bolsa cresce mês a mês. Em outubro, eles somaram 555 mil contas na Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa), o maior número da história.
Com isso, eles já respondem por 30% do volume negociado na Bolsa. "As pessoas físicas são hoje a menina dos olhos para empresas/corretoras e outros agentes do mercado", diz o diretor-presidente da BM&FBoves-pa, Edemir Pinto. Por trás do interesse, está a ambiciosa meta da (Bolsa de chegar a 5 milhões de investidores individuais dentro de cinco anos.
Esse público ganhou novo status, principalmente depois crise financeira internacional. Quando os mercados entraram em queda livre e os estrangeiros bateram em retirada do País, os investidores individuais não abandonaram a Bolsa.
De outubro a dezembro de 2008, o número de pessoas físicas oscilou entre 536 mil e 548 mil — nível próximo do atual, com o Ibovespa, principal índice da Bovespa, próximo dos 67 mil pontos.
A "fidelidade" do segmento ajudou a segurar o preço das ações de companhias com base acionária diversificada e a fazer da Bolsa brasileira uma das menos afetadas pela turbulência global.
SEGURANÇA
"A visão de longo prazo desses investidores segurou o valor do papel. Eles trazem segurança à empresa", afirma o gerente de relações com os investidores da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), Gustavo Estrella. Cerca de 15% da base de acionistas da companhia é formada por pessoas físicas. A importância e o crescimento dessa participação têm feito a CPFL, a exemplo de outras grandes companhias, como Petrobras e Bradesco, se dedicar cada vez mais a esse público. Muitas investem na criação de áreas específicas para atender melhor os pequenos aplicadores. Na CPFL, ela existe desde 2007.
A Petrobras foi pioneira na iniciativa, em 2002. Segundo Paulo Maurício de Campos, gerente da área de relações com investidores individuais, a segmentação foi feita para atender e prospectar novos acionistas. Atualmente, a estatal de petróleo tem 90% dos papéis e 10% do capital nas mãos de pessoas físicas. Eles têm à disposição número de telefone, área no site de PJ e até uma sala para atendimento pessoal. A relevância dos pequenos investidores foi atestada na crise, diz o executivo. ‘Eles dão estabilidade quando o mercado precisa."
SAIBA +
Rodolfo Zabisky, presidente da MZ Coitsult, que presta consultoria de relações com investidores a 185 companhias abertas no Brasil, diz que as empresas têm buscado aperfeiçoar a comunicação com os pequenos investidores.
A MZ criou novos produtos para atender a essa demanda, como sites e diats específicos e até uma ferramenta para realização de assembléias de acionistas on-line.
Perfil muda com o tempo
Diferentemente do que muita gente pensa, a administração das finanças e dos investimentos pessoais é um trabalho que não se esgota jamais. Criar um sistema eficiente de gerenciamento das contas domésticas, escolher um banco que ofereça os melhores serviços pelos menores custos, comparar rendimentos e taxas dos fundos de investimento, selecionar as ações que vão fazer parte da carteira — todas essas tarefas precisam ser repetidas de tempos em tempos, conforme a idade avança, os objetivos individuais e familiares mudam e... a coragem diminui.
"Do investidor que se dedica a operar no mercado, gira muito, diariamente, a faixa etária é de 20 ou 30 anos. Esse entra de peito aberto, abraçando os papeis mais voláteis. Mas aí as pessoas vão ficando mais velhas e medrosas, nascem os filhos. É natural", diz Paulo Levy, diretor da corretora Icap Brasil e responsável-pelo home broker MyCAP.
Quando ainda mora na casa dos pais, o universitário tem condições de poupar a bolsa que recebe no estágio e pode até colocar o dinheiro integralmente na Bolsa de Valores.
E o momento de compreender algumas regras fundamentais de gestão de dinheiro. Primeiro, o segredo do sucesso financeiro está em equilibrar as receitas, as despesas e os sonhos. Parece óbvio, mas é exatamente onde a maioria das pessoas tropeça. A ansiedade de consumir faz com que contraiam empréstimos e gastem demais com juros.
Aqui entra a lei número dois.
Como o Brasil tem juros elevados, faz diferença entre ver a renda escorrer pelo ralo ou acumular recursos e não ter que se preocupar com o dia seguinte. Planejamento é a terceira determinação. O momento em que se atinge uma certa maturidade e o salário engorda é o ideal para estabelecer metas, como a aquisição da casa própria, e traçar um caminho para atingi-las. Também se pode diversificar um pouco os investimentos, separando o que é destinado à aposentadoria.
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