10 | 6 | 2010
O ESTADO DE SÃO PAULO - Brasil é eleito o país em desenvolvimento com a melhor governança corporativa

 

Brasil é eleito o país em desenvolvimento com a melhor governança corporativa

País recebeu 71% dos votos de uma plateia de cerca de 350 grandes investidores em encontro no Canadá 

Alguns dos maiores fundos de investimento do mundo elegeram o Brasil a nação em desenvolvimento com a melhor governança corporativa para atração de recursos. Governança corporativa é um conjunto de procedimentos, políticas e leis que regulam a maneira como as empresas são dirigidas.

O País recebeu 71% dos votos de uma plateia de cerca de 350 investidores reunidos nesta quarta-feira, 9, em Toronto (Canadá) em um painel do encontro anual da Aliança Internacional de Governança Corporativa (ICGN, na sigla em inglês). O restante dos votos foram distribuídos entre China, com 15%, Índia, com 9%, e Coreia do Sul, com 5%.

O ICGN tem 480 membros em 45 países. Os investidores institucionais filiados a entidade administram cerca de US$ 9,5 trilhões em recursos. Entre os membros, está, por exemplo, o CalPERS - fundo de pensão dos funcionários públicos da Califórnia. É o maior fundo de pensão do mundo, com investimentos de US$ 55,2 bilhões em 2009.

"Esse resultado demonstra que os investidores estão se sentindo mais protegidos no Brasil que em outros países", disse José Luiz Osório, ex-presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e sócio-fundador do Jardim Botânico Investimentos, sediada no Rio de Janeiro. Osorio era um dos palestrantes do painel, representando o Brasil.

Ele conta que a percepção dos investidores sobre o País era mais "pessimista" alguns anos atrás. Osório participou de outros encontros do ICGN quando presidia a CVM entre 2000 e 2002. "Acredito que naquela época o Brasil não teria uma aceitação tão significativa", disse.

O especialista atribui a melhora da percepção da governança corporativa do País às reformas microeconômicas realizadas, como as novas regulamentações da CVM, a instituição do Novo Mercado, e as reformas feitas pela Bovespa/BM&F. Segundo ele, as condições macroeconômicas também melhoraram e culminaram com a concessão do grau de investimento para o Brasil pelas agências de rating.

Osório, no entanto, alerta que a situação macroeconômica está se deteriorando, por causa do aumento da dívida bruta em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). "Os aspectos fiscais são preocupantes, porque as despesas cresceram muito. Não é assustador, mas a tendência não é boa", completou.

 


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